quarta-feira, 13 de julho de 2011

Neoempreendedorismo à brasileira

Neoempreendedorismo à brasileira / Artigo / Miguel Seta

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13/07/2011

Miguel Setas Vice-presidente da EDP

Nas últimas semanas tem sido noticiado o sucesso dos sites de compras coletivas no Brasil. Estima-se que existam mais de 1.800 sites de compras coletivas brasileiros, enquanto nos EUA este número não ultrapassa os 400. O Brasil é o 5º maior país do mundo em utilizadores com acesso à internet (75 milhões de usuários, de acordo com o Internet World Stats 2011). Uma colocação claramente acima do sua posição econômica, que deve ser reforçada nos próximos anos com o anunciado Plano Nacional de Banda Larga.

Este é um dos sinais de um verdadeiro boom de empreendedorismo brasileiro, que foi confirmado este ano pela Global Entrepreneurship Research Association, que colocou o Brasil como o país com a maior taxa de empreendedorismo do G20, em 2010—17,5% dos brasileiros em idade adulta tem um negócio de até 3,5 anos. O Brasil transformou-se numa verdadeira “start-up nation”, como era conhecida Israel há alguns anos.

Este é um fenômeno global. A internet veio dar condições para os empreendedores se lançarem no mercado com muita rapidez. O Groupon — maior site de compras coletivas do mundo — atingiu faturamento superior a US$ 2,5 bilhões, em pouco mais de 2 anos. Outra tendência interessante, para além da rapidez e intensidade do fenômeno, é o aparecimento de várias classes de empreendedores. Há quatro tipos que nos chamam a atenção: z-preneurs, beta-preneurs, indie-preneurs e senior-preneurs.

Os z-preneurs é um nome que atribuímos para jovens da geração Z (nascidos depois de 1996). A internet permitiu a estes “jovens digitais” montarem os seus próprios negócios on-line. Sites de aconselhamento de imagem, como o da notória Bethany Mota, são um exemplo de como a geração Z já empreende.

Os beta-preneurs são empreendedores que se dedicam a lançar ou testar produtos e serviços em fases avançadas de desenvolvimento, mas que ainda não atingiram a sua versão final—estão na chamada “versão beta”. O exemplo das lojas colaborativas “Endossa” no Brasil, que vendem espaço de prateleira para produtos em fase de lançamento, ilustra a tendência.

Os indie-preneurs são empreendedores “independentes”, que usam a facilidade da web e da mídia social para lançar o seu próprio negócio. Um estudo recente do site enterprisenation.com mostrou que no Reino Unido há mais de 5 milhões de pessoas que gerem os seus próprios negócios em casa, com o chamado “trabalho das 5 às 9 horas”. Muitos dos sites de compras coletivas enquadram-se nesta categoria.

Senior-preneurs é o nome que atribuímos aos empreendedores de idade mais avançada.Um relatório da Kauffman Foundation mostra que nos últimos anos surgiu nos EUA um elevado número de empreendedores na faixa dos 54 aos 65 anos, que beneficiam do aumento da longevidade e que aproveitam negócios associados ao fortalecimento da economia do conhecimento.

Ou seja, o empreendedorismo é hoje um traço marcante da nossa sociedade. Há 30 anos era um conceito inovador que se estudava nas escolas de negócios e era adotado por alguns empresários mais arrojados. Agora é um conceito bastante disseminado na sociedade, impulsionado mundialmente pelas inúmeras oportunidades de negócio e pelas elevadas taxas de desemprego em algumas economias.

A boa notícia para todos é que hoje é rápido e fácil lançar um negócio. Basta uma boa ideia, um endereço digital, uma comunidade de interesse e algum dinheiro. Chegou o neoempreendedorismo!

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