terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Distrito Federal formaliza adesão ao Sistema Nacional de Cultura (SNC)



A ministra da Cultura, Marta Suplicy,o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, e o secretário de Cultura do DF, Hamilton Pereira, participaram nesta terça-feira (22), às 12h, no Foyer da Sala Villa Lobos do Teatro Nacional, da cerimônia de adesão do Distrito Federal ao Sistema Nacional de Cultura (SNC).
Entre os objetivos do SNC está a formação de uma estrutura que articule e organize a gestão cultural, aproximando as administrações federal, estaduais e municipais e a sociedade civil.
Com a adesão, o Distrito Federal assume o compromisso de estruturar o sistema distrital de cultura. O novo mecanismo assegura a transparência e o controle social do setor cultural, a partir da implementação de conselhos de cultura, fundos de cultura e outras formas de participação nas políticas públicas de produtores culturais e da comunidade em geral.
Serviço
Adesão do Distrito Federal ao Sistema Nacional de Cultura
Dia: 22/01, terça-feira
Horário: 12h
Local: Foyer do Teatro Nacional -  Setor Cultural Norte, Brasília





























































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domingo, 20 de janeiro de 2013

Alunos da Apae trabalham na Câmara com conservação de documentos e livros


A tarefa realizada diariamente requer paciência e determinação
Publicação: 20/01/2013   correioweb
Grupo com deficiência intelectual passou por treinamento e recebeu certificado de higienizador: planos e confiança
Grupo com deficiência intelectual passou por treinamento e recebeu certificado de higienizador: planos e confiança

Para muitos, o processo é natural. Encontrar um bom emprego após terminar a faculdade faz parte do caminho trilhado desde o jardim da infância. No entanto, obter independência na vida adulta é uma tarefa difícil para pessoas como Michele Santos. Ela nasceu com deficiência intelectual (DI), o que dificulta o aprendizado. Aos 32 anos, cursa o 3º ano do ensino básico, mas nem por isso desistiu do que chama da “vida de gente grande”.

Michele faz parte de uma turma de oito pessoas com DI que trabalham na higienização de documentos antigos da Coordenação de Preservação de Bens Culturais da Câmara Legislativa. A chance é resultado de uma parceria de órgãos federais com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do Distrito Federal (Apae-DF).

O projeto Emprego Competitivo Apoiado inseriu, desde 2007, 26 portadores de DI no mercado de trabalho. Eles atuam na área de conservação dos volumes, por meio de higienização de livros e documentos. Os oito alunos na Câmara Legislativa conseguem, por ano, limpar e conservar mais de 540 mil folhas. “Trabalhar me animou para estudar. Quero fazer faculdade e chamar os meus amigos para a formatura”, conta Michelle, que conseguiu viajar para o parque da Disney, nos Estados Unidos, com o próprio salário. “Eu ajudo meus familiares e pretendo levar meus pais para viajar em Manaus”, planeja a moradora de Sobradinho.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Literatura Magrebina Francófona

http://literaturamagrebinafrancofona.blogspot.com.br

Literatura Magrebina Francófona. Littérature Maghrébine Francophone.

Um blog aberto a todos os admiradores e pesquisadores do mundo literário norte-africano. Sejam bem-vindos!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Graças a aulas de redação, dezesseis alunos passam no vestibular


Através da dedicação de uma professora de português, estudantes da periferia de Planaltina foram estimulados a perder a inibição e a colocar as ideias em forma de texto
Publicação: 18/01/2013 06:12

Transferida do Paranoá, Conceição Guisardi (E) empenhou-se em tirar o pavor de escrever uma redação das turmas do terceiro ano do colégio (Monique Renne/CB/D.A Press)
Transferida do Paranoá, Conceição Guisardi (E) empenhou-se em tirar o pavor de escrever uma redação das turmas do terceiro ano do colégio


Extra, extra! Alunos do 3ª ano do Ensino Médio do Centro Educacional Pompílio Marques de Souza, em Planaltina, experimentaram, no ano passado, uma cápsula do tempo imaginária, na qual depositaram seus sonhos de vida. Uns querem ser médicos, professores e promotores de Justiça; outros, arquitetos, empresários, enfermeiros, nutricionistas, advogados e jornalistas. Dezesseis jovens garantiram vaga para o sucesso e estão aprovados em universidades federais e estaduais de Goiás.

Leia mais notícias em Cidades

A viagem ao futuro foi possível graças à dedicação da direção e dos docentes, em especial, da professora de português Conceição Guisardi. Apaixonada pela profissão, ela enxergou na escola — localizada no bairro Mestre D’Armas, periferia da cidade —, uma possibilidade de dar saltos mais altos. Tudo começou em 2012, quando a mestra chegou ao colégio transferida de uma unidade educacional do Paranoá. “Os alunos tinham pavor de redação. Para mim, aquilo não era normal”, observou ela.

Em uma tentativa de eliminar o bicho-papão da cabeça deles, a professora decidiu reinventar. Em uma das primeiras atividades do ano, incentivou-os a escreverem uma carta para quem quisessem. A atividade se chamava cápsula do tempo. Nela, a ideia era que cada jovem contasse como se imaginava dentro de uma ou mais décadas. “Um aluno disse que tinha se tornado um médico e o outro, um advogado”, contou Conceição, orgulhosa. 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Olhos D'água, o paraíso da Agente de Leitura Nilva Bello


Povoado de Alexânia se torna destino de quem procura sossegoLugarejo tem restaurantes com comida caseira, artesanato autêntico e casario antigo, construído ao longo de ruelas de pedras


Renato Alves correioweb
Publicação: 12/01/2013

Cenas da pacata Olhos d'água: sossego e hábitos simples, comida caseira, artesanato autêntico (Bruno Peres/CB/D.A Press)
Cenas da pacata Olhos d'água: sossego e hábitos simples, comida caseira, artesanato autêntico

Imagine uma Pirenópolis menor, menos movimentada, menos barulhenta, mais rústica, mais perto de Brasília, e, acima de tudo, mais barata. Esse lugar existe. E alguns brasilienses já o descobriram. Houve até quem se mudou para lá. Outros, compraram terrenos ou casas nele para passar os fins de semana. Trata-se de um povoado de Alexânia (GO), a 100km de Brasília. O nome? Olhos D’água.

Por anos, o lugarejo era conhecido apenas pelo estereótipo de destino hippie e pela tradicional Feira do Troca. Agora, faz fama internacional com o rico artesanato e atrai muito trabalhador e aposentado cansado da correria da cidade grande. Gente que habita os casarões coloridos da vila, onde os vizinhos são acolhedores e fazendas próximas conservam cachoeiras inexploradas.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Jovens autores ainda acreditam no livro impresso e se destacam no mercado

Diego Ponce de Leon
Publicação: 05/01/2013 07:00 correioweb

'Não existe um segredo exato, mas tudo gira em torno do potencial da sua obra e do seu trabalho. Este é o ponto que determina se seu livro será publicado' Victhor Fabiano, estudante e escritor  (Arquivo Pessoal )
"Não existe um segredo exato, mas tudo gira em torno do potencial da sua obra e do seu trabalho. Este é o ponto que determina se seu livro será publicado" Victhor Fabiano, estudante e escritor


O poeta francês Arthur Rimbaud começou a escrever aos 17 anos. Parou aos 20. “Com 19, produziu a obra-prima Uma estação no inferno”, ratifica o escritor Ferreira Gullar, expoente máximo da poesia brasileira. Foi com a mesma idade que o próprio Gullar lançou o primeiro livro (Um pouco acima do chão, de 1949), uma coleção de poesias. “Tive que financiá-lo com a ajuda da minha mãe. Todos começaram assim. O Drummond só deixou de bancar os livros com mais de 40. Para imprimir o primeiro, pediu ajuda da gráfica do órgão público onde trabalhava e teve desconto no salário por anos”, revela.

Quem recorreu ao mesmo artifício foi o brasiliense Daniel Spíndola Ribeiro, 22 anos, que acaba de lançar O sangue da tua tinta. “Tive sorte de encontrar uma editora interessada no que escrevi e ainda mais sorte em possuir condições para financiar meu próprio livro”, conta. Daniel faz parte de um grupo de escritores precoces que não abre mão do livro impresso. Eles batalharam pela publicação e, agora, colhem os frutos.

 (MONTAGEM)

Fundador da Confraria dos Bibliófilos do Brasil edita e dá forma artesanal a clássicos da literatura

correioweb
José Mindlin do Planalto
Mesmo sem o dinheiro do confrade paulista, José Salles Neto, fundador da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, vai às últimas consequências para editar, de forma artesanal, clássicos da literatura brasileira
Severino Francisco - Publicação:19/12/2012 
Amante dos livros, José Salles Neto tem uma biblioteca com mais de 15 mil volumes: 'Pode ter quem goste igual, mais do que eu, não há ninguém' (Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Amante dos livros, José Salles Neto tem uma biblioteca com mais de 15 mil volumes: "Pode ter quem goste igual, mais do que eu, não há ninguém"

Se alguém perguntasse quem é a pessoa que mais gosta de livros no mundo, eu responderia, à queima-roupa, sem vacilar: José Salles Neto. É o próprio Salles quem comenta, com o maior descaro: “Pode ter quem goste igual, mais do que eu, não há ninguém”. Salles é um brasiliense de Araxá, Minas Gerais, que começou colecionando gibis e hoje acumula algo em torno de 15 mil a 20 mil livros, sendo 3 mil de arte.

De Rubem Fonseca, editou o primoroso volume 
de O Cobrador: ilustrações de Rubens Gerschman (Zeca Fonseca/Divulgação)
De Rubem Fonseca, editou o primoroso volume de O Cobrador: ilustrações de Rubens Gerschman
Tudo em sua vida gira em torno desses objetos de saber e prazer. Ele caminha, dorme, sonha e acorda pensando naquilo: livros. Engenheiro aposentado da Telebrasília, tirava férias nos meses que coincidissem com a realização da Feira de Frankfurt para fazer uma varredura internacional das novidades na Alemanha.

Jamais entrou em uma livraria sem levar um livro. Por isso, na década de 1970, resolveu abrir a Livraria Literatura, no Venâncio 2000, uma das melhores que a cidade já teve. Adivinhem quem era o maior comprador da literatura? O próprio Salles. Sempre surrupiava as preciosidades garimpadas nos catálogos de editoras nacionais e estrangeiras.

Millôr Fernandes, que ilustrou o livro de Rubem Braga:  Salles, você é obsessivo. (Carlos Hungria/CB/DA Press
)
Millôr Fernandes, que ilustrou o livro de Rubem Braga: Salles, você é obsessivo.
Resultado: o sobrado de dois andares onde mora, no Lago Norte, é uma biblioteca de Babel, com volumes desmoronando por todos os lados. Em 1995, ele criou a Confrafia dos Bibliófilos do Brasil, sediada em sua cabeça e em sua casa. Ele é o fundador, o presidente, o secretário, o editor, o motorista e o office-boy da instituição sem fins lucrativos.

Salles é uma espécie de José Mindlin do Planalto, porém com mais méritos, pois não dispõe das empresas poderosas do confrade paulista para bancar os seus projetos. A Confraria publica, em esmeradas e artesanais edições de arte, obras clássicas da literatura brasileira, sempre ilustradas por um grande artista gráfico.

Dalton Trevisan, vencido pelo cansaço: exigiu que Salles publicasse o quase erótico A Polaquinha (Reprodução/internet)
Dalton Trevisan, vencido pelo cansaço: exigiu que Salles publicasse o quase erótico A Polaquinha
Só com a cara e a coragem, ele conseguiu a façanha de envolver, na condição de colaboradores e cúmplices, Dalton Trevisan, Millôr Fernandes, Ferreira Gullar, Rubem Fonseca, Luis Fernando Verissimo, Rubens Gerschman, Marcelo Grassmann, Renina Katz, Poty (o ilustrador dos livros de Guimarães Rosa), entre outros.

Ele contamina a todos com a sua paixão pelos livros. Nem o intratável contista Dalton Trevisan resistiu ao assédio. Como todo mundo sabe, Trevisan não concede entrevistas e só conversa com amigos: “Escritor não tem de falar; escritor tem de escrever. Além disso, sou tímido, um pouco menos com as loiras oxigenadas”, justifica Trevisan.

Salles enfiou na cabeça a ideia fixa de publicar um livro do irascível curitibano. A única ponte era Eleutério, um livreiro de Curitiba, amigo do contista. Fez uma consulta, mas Eleutério não deu esperanças: "A resposta de Trevisan será um terrível palavrão". Contudo, para a surpresa de todos, o Vampiro de Curitiba aceitou, sob uma condição: teria de ser a novela A polaquinha, de um erotismo cabeludo, com trechos picantes no limiar do pornográfico.

“Meu Deus, vou perder vários sócios da Confraria”, descabelou-se o já calvo Salles, que convidou Dariel Valença Lins para ilustrar a obra. Os primeiros desenhos, Salles achou muito abstratos. O artista plástico se irritou com a provocação e respondeu à altura: “Ah, você quer é sacanagem, não é? Depois, não reclama”. As ilustrações ficaram primorosas e o Vampiro de Curitiba entrou em êxtase. Trevisan mandou um dos seus livros para Salles com uma dedicatória que se estendeu por três páginas. Apenas uma confreira de 82 anos se desligou do clube do livro. E, em carta, lamentava a deserção, exigida por seu marido de 87 anos, escandalizado com a publicação.

Rubens Gerschman é o autor das ilustrações do livro 
O Cobrador: obra de Rubem Fonseca
Rubens Gerschman é o autor das ilustrações do livro O Cobrador: obra de Rubem Fonseca
Salles é cerimonioso, educado, polido, elegante, mas tenaz. Não desiste. Ele queria fazer uma edição do conto A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Guimarães Rosa, com desenhos do seu ilustrador clássico, Poty, e não conseguia o contato do arredio artista. Mas eis que Poty veio a Brasília lançar um livro. Na noite de autógrafos, Salles desfechou o ataque. Recebeu um não, convicto, direto e firme. Salles desistiu? Nunca.

Deu um tempo e, depois de dois meses, telefonou para Poty, que desconversou: “Estou aposentado”. Salles replicou: “Mas nós, os fãs de carteirinha, como eu, não aceitamos a sua aposentadoria”. Na terceira tentativa, Poty cedeu: “Olha, Salles, eu nunca vi uma pessoa tão insistente. Vi que você gosta muito de livros. Tanta azucrinação só pode estar sendo incentivada pela alma do Rosa, que sempre foi um obsessivo dos diabos. Eu acho que você está possuído pelo espírito do velho (Guimarães) Rosa. Vou fazer as ilustrações, pois tenho certeza de que, se não fizer, também serei atormentado pelo maldito espírito do Rosa”.

Os livros transformados em verdadeiros objetos de arte, que chegam às mãos dos confrades como um presente dos deuses, demandam muito trabalho. Demoram, em média, seis meses para serem finalizados. Todo o processo de produção é esmeradamente artesanal. O dono de uma fundição de São Paulo estranhou quando Salles fez a encomenda de 1 tonelada de chumbo do tipo 15/85 (liga de 15% de antimônio, com 85% de estanho). Ele usa o material para fazer a composição de cada obra.

O primeiro passo é realizar a composição do livro em linotipo. Cada linha do texto é datilografada cuidadosamente. É preciso acionar uma alavanca que derrama chumbo quente formando blocos de linhas. Os blocos são agrupados na sequência do texto até formar uma página. Em média, a composição em chumbo de cada livro pesa entre 200 kg a 300 kg, consideradas todas as páginas. As páginas são impressas uma a uma. A secagem leva seis horas. Os livros são costurados e arrematados. É todo esse processo que dá a impressão de se folhear uma obra de arte ao chegar nas mãos dos confrades.

Júlia Lemmertz, atriz: %u201CEla é ultragentil e simples, apenas uma amante dos livros%u201D, diz Salles (Luiza Dantas/Carta )
Júlia Lemmertz, atriz: " Ela é ultragentil e simples, apenas uma amante dos livros", diz Salles
Se alguém perguntasse quem é a pessoa que mais gosta de livros no mundo, eu responderia, à queima-roupa, sem vacilar: José Salles Neto. É o próprio Salles quem comenta, com o maior descaro: “Pode ter quem goste igual, mais do que eu, não há ninguém”. Salles é um brasiliense de Araxá, Minas Gerais, que começou colecionando gibis e hoje acumula algo em torno de 15 mil a 20 mil livros, sendo 3 mil de arte. Tudo em sua vida gira em torno desses objetos de saber e prazer. Ele caminha, dorme, sonha e acorda pensando naquilo: livros.

Engenheiro aposentado da Telebrasília, tirava férias nos meses que coincidissem com a realização da Feira de Frankfurt para fazer uma varredura internacional das novidades na Alemanha. Jamais entrou em uma livraria sem levar um livro. Por isso, na década de 1970, resolveu abrir a Livraria Literatura, no Venâncio 2000, uma das melhores que a cidade já teve. Adivinhem quem era o maior comprador da literatura? O próprio Salles. Sempre surrupiava as preciosidades garimpadas nos catálogos de editoras nacionais e estrangeiras.

Resultado: o sobrado de dois andares onde mora, no Lago Norte, é uma biblioteca de Babel, com volumes desmoronando por todos os lados. Em 1995, ele criou a Confrafia dos Bibliófilos do Brasil, sediada em sua cabeça e em sua casa. Ele é o fundador, o presidente, o secretário, o editor, o motorista e o office-boy da instituição sem fins lucrativos. Salles é uma espécie de José Mindlin do Planalto, porém com mais méritos, pois não dispõe das empresas poderosas do confrade paulista para bancar os seus projetos.

A Confraria publica, em esmeradas e artesanais edições de arte, obras clássicas da literatura brasileira, sempre ilustradas por um grande artista gráfico.
Só com a cara e a coragem, ele conseguiu a façanha de envolver, na condição de colaboradores e cúmplices, Dalton Trevisan, Millôr Fernandes, Ferreira Gullar, Rubem Fonseca, Luis Fernando Verissimo, Rubens Gerschman, Marcelo Grassmann, Renina Katz, Poty (o ilustrador dos livros de Guimarães Rosa), entre outros. Ele contamina a todos com a sua paixão pelos livros. Nem o intratável contista Dalton Trevisan resistiu ao assédio. Como todo mundo sabe, Trevisan não concede entrevistas e só conversa com amigos: “Escritor não tem de falar; escritor tem de escrever. Além disso, sou tímido, um pouco menos com as loiras oxigenadas”, justifica Trevisan.

Salles enfiou na cabeça a ideia fixa de publicar um livro do irascível curitibano. A única ponte era Eleutério, um livreiro de Curitiba, amigo do contista. Fez uma consulta, mas Eleutério não deu esperanças: "A resposta de Trevisan será um terrível palavrão". Contudo, para a surpresa de todos, o Vampiro de Curitiba aceitou, sob uma condição: teria de ser a novela A polaquinha, de um erotismo cabeludo, com trechos picantes no limiar do pornográfico.

“Meu Deus, vou perder vários sócios da Confraria”, descabelou-se o já calvo Salles, que convidou Dariel Valença Lins para ilustrar a obra. Os primeiros desenhos, Salles achou muito abstratos. O artista plástico se irritou com a provocação e respondeu à altura: “Ah, você quer é sacanagem, não é? Depois, não reclama”. As ilustrações ficaram primorosas e o Vampiro de Curitiba entrou em êxtase. Trevisan mandou um dos seus livros para Salles com uma dedicatória que se estendeu por três páginas. Apenas uma confreira de 82 anos se desligou do clube do livro. E, em carta, lamentava a deserção, exigida por seu marido de 87 anos, escandalizado com a publicação.

Salles é cerimonioso, educado, polido, elegante, mas tenaz. Não desiste. Ele queria fazer uma edição do conto A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Guimarães Rosa, com desenhos do seu ilustrador clássico, Poty, e não conseguia o contato do arredio artista. Mas eis que Poty veio a Brasília lançar um livro. Na noite de autógrafos, Salles desfechou o ataque. Recebeu um não, convicto, direto e firme. Salles desistiu? Nunca.

Marco Maciel, político: o primeiro que viu o anúncio da Confraria e ligou para se tornar sócio (Gustavo Froner/Divulgação)
Marco Maciel, político: o primeiro que viu o anúncio da Confraria e ligou para se tornar sócio
Deu um tempo e, depois de dois meses, telefonou para Poty, que desconversou: “Estou aposentado”. Salles replicou: “Mas nós, os fãs de carteirinha, como eu, não aceitamos a sua aposentadoria”. Na terceira tentativa, Poty cedeu: “Olha, Salles, eu nunca vi uma pessoa tão insistente. Vi que você gosta muito de livros. Tanta azucrinação só pode estar sendo incentivada pela alma do Rosa, que sempre foi um obsessivo dos diabos. Eu acho que você está possuído pelo espírito do velho (Guimarães) Rosa. Vou fazer as ilustrações, pois tenho certeza de que, se não fizer, também serei atormentado pelo maldito espírito do Rosa”.

O escritor Rubem Fonseca também carrega a fama de insociável, mas Salles não se intimidou. Conseguiu o número na lista telefônica e ligou. Fonseca o atendeu muito bem, com elegância, e pediu que mandasse tudo por e-mail: “Só peço que não repasse o fone e o e-mail. Tenho fama de chato, mas só gosto de preservar a privacidade”. Salles escolheu o artista plástico Rubens Gerschman para ilustrar o livro. Ele aceitou, mas impôs uma condição: “Você tem de me colocar em contato com o Rubem Fonseca”. Ao saber da história, Rubem Fonseca disse que seria um prazer conversar com Gerschman. Salles nunca soube se os dois se encontraram. Pouco tempo depois, Gerschman morreu.

O excelente gravurista Marcelo Grassmann estava doente e desencantado quando Salles o convidou para ilustrar uma coletânea de contos de Clarice Lispector. Ele ameaçou desistir umas 30 vezes, mas Salles invocou o santo nome de Clarice e, depois de dois anos, Grassmann finalmente entregou as gravuras, com direito a um caderno especial de ilustrações no fim do livro. Um verdadeiro patrimônio da cultura brasileira.

Paulo Betti, ator: classe artística tem companhia de banqueiros na Confraria, como José Safra (Luiza Dantas/Carta Z)
Paulo Betti, ator: classeartística tem companhia de banqueiros na Confraria, como José Safra
Com Millôr Fernandes, outro considerado inacessível, autor dos desenhos de uma coletânea de crônicas de Rubem Braga, o contato não poderia ter sido mais agradável e bem-humorado. Millôr rabiscou uma capa que é uma magnífica síntese poética da visão lírica do amigo: Rubem Braga aparece vestido com uma capa e portando chapéu embicado em um barco, pescando e com uma borboleta amarela esvoaçante sob a paisagem de rio.

Por se tratar de 36 crônicas, Salles pedia vinhetas, que levaram Millôr ao desespero: “Salles, você é obsessivo, parece aqueles psicopatas do cinema americano. Você tem certeza de que não vai me matar?”, brincava Millôr. Ao enviar a última vinheta, Millôr mandou um desenho em que ele aparecia berrando: “Vivôoo, ENFIM O FIM”.

Animadíssimo com o projeto de ilustrar a obra do amigo, Millôr sempre ligava para pressionar Salles: “Cadê o livro, Salles? Daqui a pouco, eu morro e não sai essa droga de livro?”. De fato, o livro ficou pronto pouco tempo antes de o humorista-poeta morrer. Até hoje os devotos de Braga babam de inveja dos felizardos confrades.

A paixão pelo mundo dos livros começou com os gibis, quando tinha 10 anos e morava em Frutal, Minas Gerais. Em uma garagem/depósito agregada à residência da família (uma espécie de bat-caverna), Salles mantinha um baú com diversas coleções: as de caubói (Zorro, Cavaleiro Negro, Roy Rogers, Gene Autry); as de ficção científica (Buck Rogers, Flash Gordon, etc.) e outras especiais, como Príncipe Valente, O Fantasma (esse personagem sempre foi ícone para Salles, por sua firmeza de caráter, sua força e sua seriedade), Mandrake e outras. Havia duas coleções muito importantes que guardava com um cuidado especial: Cinemim e Edição Maravilhosa.

A primeira com adaptações em quadrinhos de grandes filmes e a segunda (e aqui começa o interesse pelos livros) com adaptações de grandes romances de aventura e dramáticos, nacionais e estrangeiros, como 20 mil léguas submarinas, Quo Vadis, Don Quixote, Moby Dick, O cão dos Baskervilles, Drácula, Frankstein, O médico e o monstro, O assassino da Rua Morgue. Além dos nacionais, O Ateneu, O Cortiço, A Moreninha, Memórias Póstumas de Brás Cubas e outros.

Pouco tempo depois, aos 12 anos, começou a encomendar livros de bolso de uma das únicas empresas que vendia por reembolso postal, a Tecnoprint (hoje Ediouro) e nessas encomendas investia todo o dinheiro que tinha. Daí em diante nunca mais parou. Na verdade, o pai e a mãe nunca se opuseram aos gibis e Salles sempre acreditou que os quadrinhos são a porta de entrada para um eventual gosto pela leitura. E até hoje mantém o costume, que ele denomina “milenar”: nos almoços de sábado e domingo, sempre come lendo gibis de sua extensa coleção ou novos colecionados, como é o caso do incensado herói ianque-italiano TEX.

O que o encanta nos livros, primordialmente, é o “outro mundo” que guardam. É muito raro encontrar nos livros, de uma forma geral, o mesmo mundo da sua vida. Isto é mais acentuado nos clássicos e nos livros de autores estrangeiros, mesmo da atualidade, pois a realidade de cada país é específica, sempre diferente da do nosso ambiente; está falando aqui do conteúdo, da alma.

Depois, mas não menos importante, vem o continente. A materialidade do livro, o seu acabamento, a sua capa, a mancha gráfica (a distribuição de linhas e palavras na página) e dezenas de detalhes dessa parte física, o corpo do livro. Sempre procura ter o livro com o melhor conteúdo (boa revisão, boa tradução) e o melhor acabamento físico. Ele começou a guardar os livros e a se encantar com o objeto aos 25 anos (está com 64). E de lá para cá, esse encantamento, esse amor absoluto, só fez crescer.

Manoel Carlos, autor de novelas: assim como ele, Aguinaldo Silva também se associou (João Miguel Júnior/TV Globo)
Manoel Carlos, autor de novelas: assim como ele, Aguinaldo Silva também se associou
A ideia de criar a Confraria dos Bibliófilos veio exatamente do seu gosto por edições diferenciadas, limitadas, que só conseguia comprar em sebos e por preços exorbitantes. Por exemplo, os livros da Sociedade dos Cem Biblilófilos do Brasil, que há muito encerrou as atividades: “Se está difícil de conseguir, então eu vou fazer”. Salles pagou um anúncio em quatro jornais de circulação nacional, no domingo. O então vice-presidente da República, Marco Maciel, associou-se de imediato. No dia seguinte, Salles recebeu vários telefonemas de candidatos a confrades, um deles, que se tornou o sócio número 2, era o empresário e bibliófilo paulista José Mindlin.

Na lista de confrades mais conhecidos estão o ator Paulo Betti e a atriz Júlia Lemmertz (“ultragentil e simples, apenas uma amante dos livros”); os autores de telenovelas Manoel Carlos e Aguinaldo Silva; os banqueiros José Safra e Pedro Moreira Salles; o presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva; o advogado Evandro de Moraes Filho e os empresários Herman Wever (presidente da Siemens) e Ricardo Semler. Salles trata os confrades de modo igualitário. Todos só pagam o preço de custo dos dois livros editados por ano pela Confraria, que ficam em torno de R$ 350.

A pergunta que fica no ar é: para que tanto livro e tanto empenho? Quantos de sua biblioteca de Babel Salles já leu? “Todos, 100%”, responde o bibliófilo. “Pois, no meu conceito, para você possuir um livro (no sentido de apossar), basta ler um prefácio, um capítulo, um conto, um posfácio e, no extremo, ler a orelha e mais ainda: ficar por 30 minutos namorando uma bela capa e ilustrações de um livro.” Quem tem muito livro, às vezes, nem pode dedicar tanto tempo a todos, admirando capa, papel, diagramação, ilustrações: “A leitura é apenas um detalhe”, brinca Salles.

No papel de carta que usa quando trata de qualquer assunto relacionado com livros estão um cabeçalho e um rodapé que refletem esse amor e o fundamento do ajuntar livros. Ei-los: “Na verdade, a maioria dos acervos dos museus e das bibliotecas públicas e privadas americanas – e acredito que isto vale para outros países – foi originada a partir dos acervos formados pacientemente por colecionadores de objetos de arte e de livros, ao longo de toda uma vida”.